
Quando observamos o mundo como esta hoje, percebemos que muitas pessoas buscam realizar suas atividades de forma a impactar a empresa em que atuam e gerar um diferencial, destacando-se diante de tanta concorrência.
O que percebo é que estes posicionamentos, muitas vezes podem esbarrar em valores pessoais e formas de agir, gerando um antagonismo de aspirações e estilos pessoais. As pessoas reagem a modelos organizacionais de forma condicionada, para a busca de resultados a qualquer preço e neste caminho correm o risco de esquecerem de si próprias.
Muitas iniciativas podem ser tomadas para facilitar um processo de busca pessoal e ao mesmo tempo favorecer um “existir” mais sereno e voltado a sua essência. Sabemos que “o esquecimento de si mesmo e a falta da sustentabilidade de relações transparentes e abertas” podem ser causas que trazem um incômodo quase que imperceptível diante as tantas exigências corporativas.
Acostumados a “olhar para o lado de fora”, o Ser Humano, na maioria das vezes, coloca a “culpa” de suas insatisfações no outro: “Meu chefe não me entende”; “minha promoção não veio, porque”…, “eu sei que tenho mais potencial que ele para esta promoção”..etc.. e diante de um mundo habituado a lidar com formas políticas de relacionar-se, fecham-se em copas, vivendo uma ilusão e um faz de contas nas relações.
Podemos escolher ficar congelados pelo medo que nos impede de assumir total responsabilidade sobre nossas escolhas, e trazer sempre uma resposta tranqüilizadora (não verdadeira) diante de fatos que nos impedem de agir, ou atuar como protagonistas de nossa própria história.
A ontologia desta questão é clara, apesar de complexa, nos remete a estudar o Ser integral, aprendendo sobre a forma de observar o mundo diante de tantos desafios que o impeliu a agir “fora de si”, os modelos mentais que foram gerados a partir deste fenômeno, e a cultura praticada.
As crenças e costumes de nossa sociedade, que facilitam cada vez mais a distância de conceitos profundos, baseada na superficialidade de ações e de critérios nada naturais voltadas ao consumismo e a não valorização de assuntos sutis e de magnitude para os reais interesses humanísticos, facilita o distanciamento da assunção do Ser diante de si mesmo.
A ansiedade e as inquietações geradas por este contexto serão entendidas a partir do Olhar “amoroso” de cada detalhe para gerar consciência, observando a si mesmo e os reflexos de suas ações no mundo, como um grande passo para aprender conceitos importantes na busca da transformação pessoal.
Viktor Frankl, psiquiatra e catedrático vienense, foi prisioneiro 119104 no campo de concentração de auschwitz. Em seu comovedor livro, “O homem em busca de sentido” nos diz: “Ao homem pode se retirar tudo, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – a escolha da atitude pessoal ante um conjunto de circunstâncias – para decidir seu próprio caminho… (fonte: Coaching, a arte de soprar brasas, pg 27).
A metodologia do coaching ontológico transformacional, inicia seu trabalho pautada no aprendizado, ou seja na observação de si próprio, pois vemos o mundo como somos e os impactos desta relação promoverão uma transformação.
As interpretações que abstraímos das relações são exclusivamente nossas verdades. Como descrito anteriormente, agimos de acordo com nossos modelos mentais, que podem ser geradores ou incapacitantes.
Os modelos mentais são geradores quando nos damos a oportunidade de rever roteiros que até então estavam em curso. Neste ambiente pode ser gerado um espaço de aprendizado, que consistirá em facilitar caminhos para um agir diferente.
O coaching ontológico favorece a aprendizagem através da ação, sendo que a linguagem funciona como um veículo que produz resultados a partir da observação de si próprios.
A confiança e a confiabilidade são dois ingredientes fundamentais que estabelecerão um vinculo dialógico, baseado na transparência que auxiliarão o coach a estabelecer conexões com o coachee na busca de seus objetivos.
Para tanto, é fundamental ater-se a dois ingredientes que farão a total distinção na linha ontológica de ação: Os julgamentos e os fatos. Diante de uma seção de coaching, os observadores terão de estar atentos as crenças e julgamentos presentes, evitando criar “verdades” baseadas em modelos mentais individualizados. A escuta ativa será a ferramenta que o coaching utilizara para desarmar as falsas crenças, muitas vezes utilizadas pelo coachee como observações.
Geralmente temos dois discursos: Aquele que é travado no campo das conversas públicas e os que são travados nas conversas privadas (fonte: Leonardo Wolk – Aula de Formação internacional em coaching ontológico).
As conversas públicas são aquelas que expressamos através da linguagem, que são compartilhadas com as pessoas. Na maioria das vezes correspondem a expectativa alheia, são tidas no campo superficial, na margem dos diálogos.
O coach atuará em conjunto com o coachee na busca de “limpar” a coluna esquerda (ou seja, as conversas mantidas em particular), transformando-a em uma “força”, ou seja, distinguindo fatos de opiniões para que a ação seja mais efetiva.
Não acredito que o processo de coaching seja o “remédio” para os “males” da atual crise de identidade da sociedade, entretanto, as organizações que buscarem um equilíbrio entre resultados e pessoas conscientes de seu caminho, atingirão objetivos com maior rapidez em bases estruturadas de ação.
Por Cristiane Maziero